Na hora seguinte, Maria Antonieta e seu
pai dirigiram-se a casa da família Gonçalves, onde encontraram uma entrada
enorme com jardins colossais e com flores em todos os cantos. Maria Antonieta
sentia-se encantada com tanta riqueza e com a desmedida casa que se encontrava
à sua frente.
-Pai, isto é coisa de outro Mundo.
Afirmou Maria encantada.
-Sim deveras. Mas anda, não fiques para
trás. Respondeu José.
Entretanto aparece o mordomo da família.
Um homem que ronda os 60 anos, o chefe de todos os funcionários. O seu aspeto
transmite rigor e disciplina.
-O que fazeis vós, numa propriedade
privada como esta? Não sabeis que é proibido?
-Calma Senhor. Meu pai e eu só estamos
aqui porque queremos falar com o Doutor Gonçalves. Admitiu Maria Antonieta
assustada.
-Sim. Queremos falar com o Doutor. Pode
levar-nos até ele? Concordou José.
Nisto, o mordomo levou-os até à entrada
da casa.
-Esperem aqui. Vou perguntar ao Doutor se
ele os pode receber…
Quando o mordomo virou as costas, Maria
Antonieta dirigiu-se a seu pai:-Pai, isto não é demasiado catita para mim? Como
me vou acomodar aqui?
-Cala-te. O mordomo vem aí! Respondeu
José.
-Podem entrar. O Doutor espera-vos na
sala de visitas. Disse o mordomo Lúcio.
Enquanto caminhavam em direcção à sala de
visitas Maria Antonieta continuava encantada com toda a riqueza que observava.
A entrada possuía uma enorme escadaria do lado direito e jarrões altíssimos com
as melhores flores. As paredes eram revestidas de tapeçaria de todos os padrões
e de quadros com imagens de Salazar. Ao fundo da entrada existia também uma
pequena mesa com pratas.
À medida que iam caminhando, iam passando
por várias repartições da casa, até que chegaram à sala de visitas.
-Deixo-vos. Retorquiu o mordomo.
Ao fundo da sala estava de pé António
Gonçalves, Doutor Gonçalves, como todos o tratavam.
-Entrem, entrem. Querem tomar alguma
coisa? Perguntou António.
Maria Antonieta estava embasbacada com
toda aquela luxuria mas lá foi atrás de seu pai.
-Não, não queremos nada. Sabe Doutor, a
minha menina, a Maria Antonieta, precisa de um trabalho e o jornaleiro disse-me
que vós precisáveis de uma criada. Precisais?
-Sim, de facto. Nós temos uma cozinheira,
um mordomo, um jardineiro, um motorista e duas criadas. Uma delas despediu-se,
pois teve de ir para a sua terra e por isso pedi aos empregados para passarem a
palavra. -Explicou o doutor António- Mas então, como te chamas rapariga?
-Maria Antonieta Senhor.
-Que idade tens?
-18 Senhor.
-E estais pronta para trabalhar para esta
família?
-Sim estou.
-Pois bem, não vejo porque não
contratá-la. Já sabes menina, terás de obedecer a tudo o que o mordomo te
disser. Não admito aqui em casa faltas de respeito. Estamos de acordo?
-Sim
sim. Não se apoquente. Eu sou bem-educada e farei tudo o que me disser.
-Quanto ao dinheiro… Retende José.
- Ah. Não se preocupe. Sou um Homem
justo. Pagarei o justo. Responde António.
-Já agora… Nem disse meu nome… Desculpe!
Chamo-me José, doutor.
-Muito gosto José. Eu sou o António. Quanto a
ti menina- dirigindo-se a Maria Antonieta- podes começar quando quiseres.
-Ela já pode ficar aqui. Respondeu José.
-Sim sim. Disse Maria Antonieta.
-Lúcio? Chamou António.
-Sim doutor.
-Leva a Maria Antonieta e apresenta-a ao
resto dos criados. É a nossa nova criada. Depois traz-me um café, por favor.
-Então, eu despeço-me. Muito obrigada
pela oportunidade meu Senhor. Agradeceu José.
-Ora essa. Reconheceu António.
José saiu e Maria Antonieta seguiu o
mordomo.
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