domingo, 25 de novembro de 2012



- Não, Maria Antonieta. Eu não saiu daqui enquanto aqueles malditos não declarem democracia e não se puserem daqui para fora.
Dito isto puxou-se para a frente e rebentando de raiva gritou, “Democracia!”
Nisto Maria olha em seu redor com mais atenção e voltou a encontrar aqueles olhos azuis que tanto a empolgavam. Aproveitou toda esta situação e dirigiu-se a seu pai:
- Bem, já que quer ficar aqui, eu também fico.
- Como queiras! Respondeu José.
Durante toda aquela tarde os jovens não tiraram o olhar um do outro. Um olhar meigo, carinhoso. Parecia que já se conheciam há muito tempo e que tinham tanto para dizer um ao outro. Era inevitável a troca de olhares!
De repente, ouvem-se as palmas e os gritos de alegria. Marcelo Caetano tinha-se rendido e Portugal deixou de ser um país sob a política ditatorial para ser um país livre de ideias, de pensamentos, em que as mulheres teriam o seu direito ao voto e em que poderiam trabalhar assim como os Homens. Portugal seria um país com muito para viver e dar a viver!
Maria Antonieta fixada no olhar do jovem nem reparou no que se passava à sua volta. José com olhos a brotarem de lágrimas dirigiu-se a Maria:
- Filha somos livres filha! Finalmente Meu Deus!
- Ah? O que foi pai? Porque é que estão todos a bater palmas?
- Não vês? Não ouves? Maria Antonieta, filha, somos livres. Já não vivemos em ditadura. Aquele bandido saiu do poder!
-Ah. Não tinha percebido que tudo já tinha acabado.
O militar que roubou o olhar a Maria Antonieta passou por eles num dos tanques e mandou o tanque parar. Debruçou-se sobre Maria Antonieta, deu-lhe o cravo que tinha em suas mãos e disse: - Estamos livres…
Maria Antonieta ficou fixada no rapaz até que o tanque começou a andar. Ela percebeu que ele lhe queria dizer mais alguma coisa mas que não conseguiu.
José ao ver todo aquele aparato agarrou o braço da filha e disse: - Anda, já vimos o que tínhamos a ver aqui. Anda!
- Mas Pai… -Reclamava Maria Antonieta- Ainda não foram todos embora…
- Vamos, já disse!
Enquanto estavam a caminho de casa, o pai de Maria Antonieta percebeu que aquele rapaz tinha mexido com sua filha e não ficou nada satisfeito com isso.
“Mas que raio… Já me querem roubar a catraia hã? E logo um galã daqueles… Aquilo não é para o bico dela!” Pensava José.
Maria Antonieta percorreu todo o caminho para casa pensando no militar e na sua beleza. Passou todo o tempo a cheirar o cravo que ele lhe dera.
Quando chegaram a casa, Ermelinda, a mãe de Maria Antonieta, estava com os nervos em franja. Apontando-lhes com o indicador: - Espero que não me façam mais nenhuma partida destas que meu coração não aguenta estas coisas. Já soube que estamos em liberdade mas isso não vos dá o direito de não me darem noticias.”
 José com um sorriso: - Oh mulher tem calma, está tudo bem connosco!
- O que é que se passa com a catraia, homem?
- Olha veio assim o caminho todo. Não pára de cheirar o raio da flor!
- Oh Maria Antonieta – disse Ermelinda – não te esqueças que tens de ir estender as roupas lá cima ao arame.
Não obtendo resposta a mulher insistiu:- Estás a ouvir-me rapariga?
- Já estou a ir! Retorquiu Maria Antonieta de cabeça baixa.
Enquanto Maria subia até ao arame que se encontrava no cimo da casa pensava “Qual será o nome dele? Era tão bonito…!”
- Onde está a minha netinha hã? Oh Ermelinda, onde está ela? – Perguntava a avó Lucinda que a Maria Antonieta tanto adorava.



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