segunda-feira, 26 de novembro de 2012



Quando Maria percebeu que sua avó a procurava, desceu de imediato as escadas e foi ao seu encontro.
- Avó, minha doce avó. Como tens estado tu?
- Bem minha filha bem. Mas agora ajuda-me lá a subir as escadas que este reumatismo dá cabo de mim. Sabes, dantes a tua avó era uma mulher rija, cheia de força. Força que até dava para vender. Mas, desde que morreu o Amadeu, o teu avô, comecei a enfraquecer por dentro e por fora. Já não sou a mesma! Mas diz-me, como estás querida?
- Oh avó. Conheci um rapaz… Um rapaz demasiado bonito para mim! Respondeu Maria Antonieta à avó com um tom de voz avassalador.
- Oh meu amor. Tu és tão bonita! – Passando-lhe os seus dedos enrugados pelo cabelo encaracolado de Maria Antonieta – Não digas uma coisa dessas! Olha e diz-me lá… esse tal rapaz… hã… onde o conheces-te? Sabes o nome dele? Onde mora ele? É do Rossio? Perguntou a Lucinda com enorme curiosidade.
- Não avó. Não sei nada dele! Nada de nada. Respondeu Maria continuando a estender a roupa.
- Como não sabes? Não se falaram?
- Não. A única coisa que tenho dele é isto - Meteu a mão no bolso do avental e tirou o cravo – Vês? Só isto… Concluiu Maria Antonieta.
- Mas que raio… Não estou a entender filha. Disse a avó Lucinda baralhada.
- Avó foi durante a revolução. A gente só olhou um no outro, nada mais. Ele depois passou num tanque e entregou-me este lindo cravo. Dito isto fez uma pirueta com o cravo junto ao peito.
- Que bonito Maria Antonieta! Mas assim vai ser complicado de descobrir quem é ele. Cascais é muito grande. Aliás, nem sabes se ele vive cá em Lisboa.
- Vive minha avó. Meu coração diz-me que sim e ele nunca me atraiçoa. Responde Maria Antonieta convencida.
Enquanto a avó e a neta trocavam impressões sobre o tal rapaz, a mãe de Maria Antonieta, Ermelinda, ficou a ouvir toda a conversa entre ambas ficando curiosa.
No fim de jantarem, Maria Antonieta ficou na cozinha a acabar de limpar os últimos pratos, enquanto sua mãe e seu pai e seus irmãos já se tinham ido deitar.
Quando já estavam no quarto, Ermelinda confrontou o seu marido, José, com a conversa que ouviu entre sua mãe e a sua filha.
- Hoje ouvi uma conversa entre a Maria Antonieta e a minha mãe que me deixou com a pulga atrás da orelha…
- Então o que é? Perguntou José com alguma curiosidade.
- Então não é que a catraia estava a dizer à minha mãe que conheceu um rapaz durante a revolução que lhe despertou interesse? Ela estava muito curiosa para saber quem era e pareceu-me apaixonadita.
 - Olha lembras-te quando eu e ela chegamos cá a casa esta tarde?
 - Sim. O que tem?
 - Ela veio esquisita durante todo o caminho e foi por causa do tal rapaz que até lhe ofereceu um cravo. Eu vi com estes olhinhos que a terra há-de comer, o quão eles se olhavam. Isto ainda nos vai trazer problemas, mulher. Afirmou José muito convicto.
- Mas tu queres ver… O raio da catraia já anda a espalhar charme e nem sabe quem é o rapaz.



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