- Ele é um tipo todo catita,
mulher. É militar do…do… Movimento das Forças Armadas. É isso! É assim que eles
se chamam.
- Hei láaa! Isso é gente de
muita grana e muito catitas. Um rapaz desses não olhava para a nossa Maria
Antonieta. Quem é que olha para uma sopeira de avental enfiado à cintura?
Ninguém Homem. Essa gente é da alta. Não é como nós que damos tudo para ter um
prato de sopa quente para comer.
- Bem, mas não penses mais
nisso. Vamos dormir que já se faz tarde Ermelinda.
- Até amanha. Disse Ermelinda
bocejando.
- Até amanha mulher. Respondeu
José desligando a luz do candeeiro a gás.
No dia seguinte, no fim de
toda a família ter tomado o pequeno-almoço, José saiu à rua para saber das
notícias do dia enquanto o resto da família retomou aos seus trabalhos.
-Maria Antonieta? Ermelinda?
Chamava José abafando cada palavra.
-Diz homem! Respondeu
Ermelinda bastante preocupada com sua filha ao seu lado.
-Trago notícias fresquinhas.
Arranjei trabalho para a Maria Antonieta! Exclamou ele com um enorme sorriso.
-A sério? Responderam as
mulheres em coro.
-Sim. É para servir numa casa
de ricos, no centro do Rossio.
-Que bom pai! Finalmente vou
poder ajudar a família. Disse Maria Antonieta feliz com os olhos a brilhar.
- Sim, graças a Deus. A nossa
menina vai começar a trazer algum dinheiro e vamos conseguir recompor melhor a
nossa vida- Comentou Ermelinda- Mas como é que soubeste que precisavam de uma
criada? Continuou.
-Foi o jornaleiro que passou
por mim e me disse que os Gonçalves precisavam de uma criada.
- Os Gon… Gon… Gonçalves?
Perguntou Ermelinda muito inquietada.
- Sim, tu sabes quem são. São
aqueles ricaços lá de baixo… Explicou José.
- Sim sei. Dito isto,
Ermelinda correu para a cozinha.
- Pai, quando começo ao
trabalho?
- Hoje vou lá contigo a casa
deles, tenho de acertar uns pormenores de dinheiro e assim. É que eu sou pobre
mas não sou burro e quero que a minha família seja paga como manda a lei.
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